• Como um biólogo encontrou a realização de carreira no mundo das Startups

    4 out 2016
  • Quem nunca se questionou sobre sua carreira profissional? Se pudesse apostar eu diria que temos uma unanimidade aqui, bingo?

    Seja para decidir o primeiro emprego ou para recolocar-se profissionalmente, são inúmeros os caminhos existentes. Para mim não foi fácil definir o rumo que iria seguir e imagino que para você também não seja.

    Meus interesses profissionais foram sempre como uma montanha-russa. Há 8 anos iniciei a graduação em Biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e meu objetivo era ser um daqueles pesquisadores que viajavam o mundo analisando comportamento animal e gravando para a Discovery Channel ou Animal Planet.

    Um ano após o início do curso, influenciado pelo seriado CSI, pensei em ser um geneticista forense e auxiliar as forças da lei a ajudar a desvendar crimes a partir de extração de DNA de fragmentos de ossos. Consultor ambiental, analista de sustentabilidade na área industrial, trainee de multinacional, todas estas opções já estiveram na minha cabeça gerando um sentimento grande de ansiedade. Eu queria antecipar o futuro a qualquer custo!

    Comecei a trabalhar e pude experienciar um gostinho de quase todos estes desejos. Fui estagiário na área de sustentabilidade de uma grande indústria siderúrgica, porém não estava realizado. Passei no programa de estágio de uma grande multinacional do segmento de bebidas, porém os valores da companhia (que muito apreciava no passado) não faziam mais sentido para mim.

    Fui para o exterior e morei na Hungria para trabalhar em uma empresa de biotecnologia na área de marketing e Biz Dev, entretanto como tudo anda a passos lentos neste segmento (P&D, eventos etc.), me sentia muito “parado”. Muito provavelmente o “comportamento de geração Y” estava agindo sobre mim e sentia uma grande necessidade de mudança.

    Tirei um ano sabático para viajar o mundo e ao chegar na Ásia passei grande parte do tempo lá. Creio que este seja o melhor destino para desenvolver seu autoconhecimento. São culturas milenares e ricas, um timing diferente, o que me possibilitou ter o tempo suficiente para refletir sobre minha vida.

    Não tenha medo de mudar 180 graus

    Há 3 anos eu nunca imaginaria que hoje estaria em uma startup. Era fevereiro de 2014, havia acabado de finalizar minha odisseia pelo mundo e estava morando na Coreia do Sul, a quase 19 mil km de distância. Recebia mais uma push notification no LinkedIn: era um amigo de longa data perguntando sobre meus planos profissionais e oferecendo uma proposta para trabalhar em uma startup no segmento de tecnologia, empresa que estou até hoje.

    Se você está na zona de conforto, fazendo tudo como é esperado, tome um tempo para refletir:

    1. “Será que este é o melhor rumo para mim?”
    2. “Quais comportamentos quero desenvolver?”
    3. “O que me deixa feliz?”

    São exemplos de perguntas que você deve fazer a si mesmo. Se eu não tivesse me questionado a exaustão, nunca estaria onde estou hoje. Hoje tudo faz muito mais sentido e tenho certeza que estou no caminho correto. Certa vez um colega me orientou:
    - “Quando você achar que as coisas estão meio nebulosas na sua vida tire pelo menos 1 hora da sua semana pensar”
    Foi uma dica muito importante na minha vida e que virou hábito até hoje.

    Trabalhar em uma startup é como investir em ações: o risco é maior, porém as oportunidades também

    Um dos grandes benefícios de uma startup é o forte acesso aos líderes. A ausência de uma hierarquia complexa e múltiplos departamentos ajuda na agilidade da informação.

    Uma característica inerente a quase todas as startups que me relaciono é a cultura forte e o fato de se esforçarem constantemente para mantê-la. Cultura é tudo para uma startup. É o que manterá as pessoas engajadas para dedicarem-se a um objetivo em comum. Uma dica valiosa é analisar se a cultura desta organização está alinhada com sua visão e valores. Isto faz toda a diferença.

    Minha formação acadêmica e primeiras experiências profissionais continham sempre processos bastantes definidos. Basicamente existia protocolo para tudo, há um método científico e eu acabei enraizando este modelo mental. Entrar em uma startup foi um choque de realidades muito grande, pois as alterações de processos são constantes até a empresa ganhar corpo, o que gera uma sensação de instabilidade grande. É preciso ter muito estômago para aguentar os efeitos colaterais do crescimento acelerado. Várias foram as vezes que repentinamente descontinuamos processos, recriamos, redesenhamos, reutilizamos boas práticas que eram feitas no passado.

    De alguma maneira este ponto de atenção exponencia as oportunidades existentes. O ambiente é (ou pelo menos deve ser) fértil para criar e inovar.

    Hoje participo ativamente da construção de uma empresa que criou um novo mercado no Brasil. De quando entrei até agora, aumentamos de 300 para 5000 clientes, de 30 para 400 quase funcionários, de uma “projeção” para uma “realidade”. Consigo claramente visualizar o impacto das minhas ações para o crescimento da organização, pois normalmente a estrutura é muito enxuta e todos precisam fazer muito com pouco, deixando os resultados alcançados muito visíveis. É uma injeção diária de empreendedorismo e inovação.,

     

    Por Pablo Goulart de Queiroz
    Inside Sales Executive na Resultados Digitais

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