• Mudei de carreira, como foi este processo?

    28 jun 2016
  • O CAMINHO ANTES DA MUDANÇA

    A vida é repleta de escolhas, é melhor a gente começar a aceitar este fato (rs).

    Desde acordar e decidir o que tomar no café da manhã a casar, optar por não ter filhos, fazer um ano sabático, estudar administração ou mecatrônica e por aí vai…

    Um belo dia eu optei por mudar de carreira. Já trabalhava na área de Marketing desde a faculdade, tendo feito uma carreira bem expressiva ao longo de 20 anos. Meu cargo mais alto foi o de Diretora de Produtos para a América Latina, tinha lá seu charme e reconhecimento, em especial, o financeiro.

    Quando comecei a pensar no assunto, em mudar, eu era Diretora de Produtos Financeiros, trabalhava em um banco fantástico, do qual até hoje sou correntista, mas algo me inquietava. Já havia percorrido uma carreira de sucesso nesta área e queria experimentar algo novo, me desafiar em outra área.

    Algumas pessoas se surpreendem até hoje quando conto a decisão que tomei lá atrás, mas uma das coisas mais legais que você pode aprender com a sua vida é a ter mais autoconhecimento, que é fundamental para pensar e agir em busca de uma trajetória profissional que lhe faça feliz, hoje e amanhã.

    E foi isto, fiz uma constatação a meu respeito. Isto não quer dizer que você fica ótima e saltitando, pelo contrário, era boa notícia????  NÃO, NEM UM  POUCO.  Nunca havia trabalhado com qualquer outra coisa na minha vida e o medo de ficar sem espaço no mercado me fazia perder o sono.

    Em 20 anos, Marketing tinha se tornado minha paixão: cresci, entrei em Publicidade na ESPM, sem qualquer crise existencial, me encantei com o Marketing, mudei de curso e, de repente, lá estou eu, com uma bagagem enorme e sem a pálida ideia de por onde começar.

     

    O PROCESSO DE MUDANÇA

    Mas quando você está neste estado, caminhe um pouco e uma ideia sempre aparecerá.  Foi o que fiz, fiquei com aquele incômodo e isto me fez pensar em alternativas. Decidi pedir ajuda. Uma outra qualidade que tenho aprendido com o tempo.

    Fui perguntar a pessoas, não necessariamente minhas amigas, mas àquelas que conheciam meu trabalho e minhas CARACTERÍSTICAS PESSOAIS, onde elas me viam. Selecionei 15 pessoas e como resultado obtive área acadêmica, como professora e no RH, ainda sem uma especificação mais certa.

    Na incerteza, comecei a fazer uma reserva financeira, afinal pressionada pela falta de dinheiro podemos optar por caminhos… sei lá, não tão aderentes ao que queremos de fato.

    Nesta mesma época, algumas questões pessoais me ajudaram a definir quais objetivos gostaria de atingir nesta nova carreira. Queria, por exemplo, dedicar mais tempo a minha família, o que minha função na época não permitia.

    Eu ADORAVA o meu trabalho, era realmente feliz.  Apesar de trabalhar das 07h00 às 21h00, às vezes sábado um pouquinho, ou domingo.

    Como abandonar algo que se ama tanto, ainda que a razão lhe diga: “está na hora de mudar!”?

     

    A HORA DA MUDANÇA

    Quando você tem propósito e foco, o universo também ajuda. Recebi uma proposta para trabalhar ainda em Marketing com um antigo gestor meu, fui. Foi uma boa experiência, mas seu ganho maior foi me ajudar a me desapegar de várias coisas: de uma organização que eu amava, de benefícios financeiros expressivos, do jeitão daquela empresa que me fazia sentir em casa e vivenciar outra, que, naquele momento, eu já tinha certeza que seria passageira.

    E quando você faz um bom trabalho ao longo de 20 anos, oportunidades aparecem, então recebi uma nova proposta para trabalhar em Marketing, dessa vez em um centro de excelência em educação e é claro, negociei para ocupar a cadeira acadêmica de Marketing em um futuro próximo. Nossa parecia tudo perfeito, não é? Mas como a vida é orgânica, você se desenvolve, as oportunidades mudam etc. Em pouco menos de 2 anos eu já era reconhecida como uma gestora com excelentes características em gestão de pessoas. E aí o RH ficou muito mais forte.

    Escolhas. A instituição passou por uma transformação muito forte e eu não me via mais participando daquela nova estrutura, não me encaixava, este era o sentimento. ESTAVA NOVAMENTE ME ESCUTANDO,  algo que recomendo sempre. E, pela primeira vez em 25 anos, sai de uma organização sem ter ideia de onde iria trabalhar, mas certa SOBRE MEU PRÓXIMO PASSO, RH. Resolvi encarar uma viagem de moto até o Atacama e naquele mês pensei em quem poderia me ajudar: MINHA REDE.  Voltei, contatei a presidente da Cia de Talentos, que já conhecia meu trabalho e comecei de imediato no Grupo DMRH.

    Fácil?  Do ponto de vista de logo arrumar um “emprego”, sim. Mas MUDAR É TÃO MAIOR… os sentimentos se confundem, competências bárbaras que você tinha, não são mais tão úteis nesta próxima carreira e você precisa se desenvolver, aprender outras coisas. A definição de resultado é completamente diferente também. Precisei reconfigurar meu Waze e bem rápido, por conta da idade.  Já não tinha o mesmo tempo de quando estava escolhendo a faculdade.

    Resumindo:

    1) Escute você e peça ajuda;
    2) Considere suas características, onde você é muito bom, na sua visão e na dos outros; seus objetivos; e o mercado, quem gostaria de trabalhar com uma pessoa como você? E acione sua rede!
    3) Desapegue do que está virando um “peso morto” e se entregue a um novo modelo;
    4) Seja muito feliz, todos os dias!

     

    Martha Magalhães
    Consultora Sênior em Desenvolvimento e Carreira do Grupo DMRH onde tem atuado nos últimos 8 anos. Mudou de carreira aos 46, tem hoje, portanto, 54,  e continua pensando nos seus próximos passos. Onde? Ela ainda não sabe.

     

     

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